Baseado em mitos ancestrais sobre infusões e sombras antigas este projeto agrícola assenta em plantas colhidas nas sombras de sobreiros antigos.
Segundo o imaginário tradicional as infusões feitas de ervas colhidas na sombra de sobreiros e tocadas por pedacinhos minúsculos de cortiça seca têm propriedades especiais.
Diz-se que, muito antes de as estradas cortarem o montado, havia um sobreiro tão antigo que ninguém sabia quando tinha nascido. As gentes da aldeia chamavam-lhe O Guardador do Vento.
Debaixo da sua copa espessa, a terra nunca secava por completo. Mesmo nos verões mais duros, quando o chão estalava sob o sol de Portugal, ali havia frescura.
Uma curandeira chamada Antónia colhia sempre as suas ervas naquele lugar. Não era por acaso — dizia ela que:
“A sombra do sobreiro não é ausência de luz, é luz amadurecida.”
Ali cresciam poejo bravo, cidreira rasteira, pequenas flores amarelas de hipericão e lucia-lima. Antónia colhia-as ao amanhecer, em silêncio, antes que o galo cantasse três vezes. Ela acreditava que o sobreiro “ouvia” e guardava a intenção de quem colhia.
Quando alguém na aldeia sofria de tristeza profunda ou de noites inquietas, ela preparava a infusão da sombra antiga:
Água aquecida lentamente.
Três folhas de cidreira.
Um ramo de poejo.
Uma flor de hipericão.
E um pedacinho minúsculo de cortiça seca, apenas para tocar a água.